O egresso da Faculdade de Tecnologia (FT) da Unicamp Kauê Tartarotti Nepomuceno Duarte é um dos líderes do projeto que conquistou o primeiro lugar no Hopewell M.I.N.D. Prize, premiação internacional dedicada à inovação em pesquisas na área da saúde do cérebro. O projeto recebeu US$ 1 milhão para desenvolver uma nova abordagem para a realização de ensaios clínicos relacionados ao acidente vascular cerebral (AVC), utilizando Inteligência Artificial, celulares e dispositivos remotos.
Atualmente pesquisador do Hotchkiss Brain Institute, da Universidade de Calgary, no Canadá, Kauê divide a liderança do projeto com o médico Bijoy Menon. A proposta busca transformar a maneira como estudos clínicos são conduzidos, tornando a participação dos pacientes mais acessível, prática e inclusiva.
Ensaios clínicos mais acessíveis
Ensaios clínicos são fundamentais para avaliar a segurança e a eficácia de novos tratamentos, tecnologias e estratégias de cuidado em saúde. No entanto, a participação nesses estudos muitas vezes exige que os pacientes realizem visitas frequentes a hospitais ou centros especializados, o que pode representar uma barreira, especialmente para pessoas que vivem longe dos grandes centros urbanos.
É justamente esse desafio que o projeto pretende enfrentar por meio do conceito de ensaios clínicos de “impacto zero” (zero-footprint clinical trials). A ideia é integrar a pesquisa ao atendimento e à rotina que o paciente já possui, reduzindo a necessidade de consultas, deslocamentos e visitas adicionais exclusivamente para fins de pesquisa.
Para isso, a equipe pretende utilizar tecnologias já presentes no cotidiano de muitas pessoas, como celulares, dispositivos vestíveis — a exemplo de relógios inteligentes —, gravações de voz e vídeo e ferramentas de Inteligência Artificial. Esses recursos poderão permitir o acompanhamento remoto da recuperação dos pacientes ao longo do tempo, de forma segura e respeitando a privacidade dos participantes.
Tecnologia a serviço da recuperação após o AVC
O primeiro foco da iniciativa será o acidente vascular cerebral (AVC) e, especialmente, as alterações cognitivas que podem permanecer como consequência do evento.
A expectativa é que a nova abordagem possibilite a realização de estudos mais ágeis, acessíveis e representativos de diferentes populações. Em vez de limitar a participação a pacientes que vivem próximos a grandes centros de pesquisa, a tecnologia poderá ampliar o acesso de pessoas atendidas em hospitais menores, unidades de saúde ou regiões rurais e remotas.
“Os ensaios clínicos são um dos principais motores de transformação na área da saúde, mas muitos pacientes ainda enfrentam barreiras para participar”, destaca Bijoy Menon. Segundo o pesquisador, o financiamento permitirá acelerar o desenvolvimento de ferramentas digitais capazes de tornar os estudos mais acessíveis e integrados ao cuidado que os pacientes já recebem, ampliando as possibilidades de melhorar os resultados para pessoas que sofreram um AVC.
Reconhecimento internacional
A sigla M.I.N.D. corresponde a Maximizing Innovation in Neuroscience Discovery, expressão que pode ser traduzida como “Maximizando a Inovação na Descoberta em Neurociência”.
Criado em 2021, o Hopewell M.I.N.D. Prize reconhece projetos inovadores voltados à transformação da pesquisa e do cuidado em saúde cerebral. A premiação foi criada a partir de uma doação de US$ 10 milhões realizada pelo empresário e filantropo de Calgary Sanders Lee.
A conquista de Kauê e da equipe reforça o potencial da integração entre ciência, tecnologia e Inteligência Artificial para enfrentar desafios complexos da saúde e ampliar o acesso à pesquisa científica.
Para a Faculdade de Tecnologia da Unicamp, o reconhecimento também representa motivo de orgulho e evidencia a trajetória de seus egressos e sua contribuição para pesquisas de impacto internacional.
Vídeo Apresentação Kauê: https://www.instagram.com/p/DeDGWMWvFYk/

