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 FT/UNICAMP leva Sistemas Complexos à Sciences Po Paris e ao UArctic Congress nas Ilhas Faroé

Sciences Po Paris e UArctic:

Sistemas Complexos, Internacionalização e Engenharia de Transportes

Inicialmente, cabe destacar a importância dos Sistemas Complexos para as Engenharias, em especial para a Engenharia de Transportes, área de atuação dos docentes Prof. Dr. Yuri Alexandre Meyer e Prof. Dr. Rafael Henrique de Oliveira na graduação da Faculdade de Tecnologia da UNICAMP. Essa abordagem também possui grande relevância para o programa de pós-graduação da unidade, especialmente em função de seu caráter interdisciplinar.

É importante enfatizar que a aplicação dos Sistemas Complexos não se restringe ao uso isolado de ferramentas matemáticas ou computacionais. Trata-se, fundamentalmente, de uma forma de pensar, modelar e interpretar problemas reais caracterizados pela presença de múltiplos agentes, incertezas, interações não lineares, dinâmicas emergentes e mudanças de regime. Na Engenharia de Transportes, essa perspectiva assume papel central, uma vez que sistemas logísticos, redes urbanas, portos, aeroportos, hidrovias, cadeias de suprimentos e novas tecnologias de mobilidade não podem ser compreendidos apenas pela análise de seus componentes individuais, mas sobretudo pelas interações estabelecidas entre eles.

Essa visão foi fortalecida de maneira concreta durante recente missão acadêmica internacional realizada pelos docentes. A atividade teve início com uma visita à Sciences Po, em Paris, uma das instituições mais tradicionais e reconhecidas internacionalmente nas áreas de ciências sociais, ciência política, relações internacionais, políticas públicas e estudos sobre dinâmicas sociais contemporâneas. Nesse contexto, foi realizada uma reunião presencial com o Prof. Dr. Serge Galam, amplamente reconhecido como um dos fundadores da sociofísica.

Visita Técnica na Science Po – Paris com o Prof. Dr. Serge Galam, pioneiro da Sociofísica.

O encontro foi particularmente relevante para consolidar uma ponte entre os Sistemas Complexos, a Física Estatística, a dinâmica de opiniões e a análise de fenômenos sociais, políticos e institucionais. Mais do que uma visita institucional, a atividade representou uma oportunidade de aprofundar uma colaboração científica voltada ao desenvolvimento de modelos capazes de interpretar comportamentos coletivos, processos de decisão, polarização, formação de consensos e transformações sociais sob uma perspectiva quantitativa e interdisciplinar.

Para a Engenharia de Transportes, essa aproximação apresenta especial relevância. A sociofísica oferece instrumentos teóricos e metodológicos para compreender como decisões individuais e coletivas influenciam sistemas de mobilidade, escolhas de rotas, aceitação de novas tecnologias, comportamento de usuários, formulação de políticas públicas, conflitos de interesse e processos de adaptação em redes de transporte. Dessa forma, a colaboração com o Prof. Dr. Serge Galam reforça diretamente a proposta formativa do curso, ao contribuir para a formação de engenheiros capazes de interpretar sistemas reais não apenas por seus aspectos técnicos, mas também pelas interações humanas, sociais, políticas e econômicas que condicionam seu funcionamento.

Na sequência, os docentes participaram do UArctic Congress 2026 and UArctic Assembly 2026, realizado entre os dias 26 e 29 de maio de 2026, em Tórshavn, nas Ilhas Faroé. O UArctic Congress é um evento bienal que reúne, em um único encontro, uma conferência científica internacional e importantes reuniões institucionais da rede UArctic. Seu objetivo é promover contatos, fortalecer redes de colaboração e aproximar lideranças institucionais, representantes indígenas, pesquisadores, cientistas, estudantes, formuladores de políticas públicas e diversos atores envolvidos com o futuro da região ártica.

Integrantes do GESC (Grupo de Engenharia de Sistemas Complexos): Prof. Dr. Rafael Henrique de Oliveira, Pedro Coelho Terossi (Graduando em Sistemas de Informação e aluno de IC dos professores Rafael e Yuri) e Prof. Dr. Yuri Meyer.

Pedro, Prof. Dr. Yuri Meyer e Prof. Rafael Henrique na seção presidida por eles.

 

Nesse contexto, o congresso constitui um espaço estratégico para o avanço da agenda do Ártico por meio da criação e do fortalecimento de colaborações internacionais voltadas à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de soluções para os desafios da região. A edição de 2026 foi sediada pela Universidade das Ilhas Faroé, em colaboração com o Ministério das Relações Exteriores e Pesca e com o Instituto de Pesquisa Marinha das Ilhas Faroé. Além disso, incorporou a Ocean Connectivity Conference, evento internacional dedicado à conectividade oceânica entre o Subártico e o Alto Ártico, vinculado à presidência do Reino da Dinamarca no Conselho do Ártico.

Os temas centrais do congresso estiveram alinhados às prioridades do Reino da Dinamarca em sua presidência do Conselho do Ártico, abrangendo desenvolvimento econômico sustentável e cooperação internacional, oceanos, mudanças climáticas no Ártico, biodiversidade, povos indígenas e comunidades do Norte. Tais eixos demonstram claramente que os desafios da região não são exclusivamente ambientais, mas também sociais, econômicos, geopolíticos, logísticos e institucionais.

A dimensão internacional e estratégica do congresso tornou-se evidente pela presença de lideranças acadêmicas, científicas, políticas e institucionais de grande relevância. Entre os participantes e palestrantes destacaram-se Costas Kadis, Comissário Europeu para Pescas e Oceanos; Katrín Jakobsdóttir, ex-Primeira-Ministra da Islândia entre 2017 e 2024 e Chair do Arctic Circle Polar Dialogue; Sara Olsvig, Chair do Inuit Circumpolar Council; além de pesquisadores e lideranças vinculados a instituições de destaque internacional, como a Harvard Kennedy School.

Durante o congresso, os professores Yuri Alexandre Meyer e Rafael Henrique de Oliveira atuaram como coordenadores da sessão “Geopolitical Dynamics in the Arctic: Complex Systems and Data-Driven Insights”, dedicada à análise das transformações geopolíticas no Ártico sob a perspectiva dos Sistemas Complexos e de abordagens orientadas por dados. Além da coordenação da sessão, também foram apresentados trabalhos científicos diretamente relacionados às linhas de pesquisa desenvolvidas pelo Grupo de Engenharia de Sistemas Complexos (GESC).

O trabalho “Geopolitical Dynamics in the Arctic: Complex Systems and Data-Driven Insights” foi apresentado pelo aluno de Iniciação Científica Pedro Coelho Terossi, evidenciando a inserção de estudantes de graduação em debates científicos internacionais de alto nível. O mesmo estudante também apresentou o trabalho “Game Theoretic Analysis of Strategic Behavior in the Arctic: Integrating Markov Chains and Non-Cooperative Games”, que integra Cadeias de Markov e Teoria dos Jogos Não Cooperativos para analisar o comportamento estratégico de diferentes atores no contexto ártico. Essas apresentações demonstram como a formação em Engenharia de Transportes pode dialogar com temas globais relacionados a novas rotas internacionais, geopolítica, mudanças climáticas, logística e reorganização de cadeias de suprimentos.

Adicionalmente, o Prof. Dr. Yuri Alexandre Meyer apresentou o trabalho “Pricing Low-Altitude Drone Airspace in Emerging and Remote Regions: A Stackelberg Equilibrium Framework with Application to Brazil”, desenvolvido em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O estudo amplia a aplicação dos Sistemas Complexos e da Teoria dos Jogos para um tema estratégico da Engenharia de Transportes: a precificação e regulação do espaço aéreo de baixa altitude destinado a drones, especialmente em regiões emergentes e remotas. A proposta emprega um modelo de equilíbrio de Stackelberg para analisar as interações entre agentes reguladores e operadores em cenários caracterizados por inovação tecnológica, infraestrutura limitada e necessidade de mecanismos eficientes de governança.

Dessa forma, a participação no UArctic Congress 2026 and UArctic Assembly 2026 envolveu três dimensões complementares: a coordenação científica de uma sessão internacional, a apresentação de pesquisas desenvolvidas no âmbito da graduação e da iniciação científica, e a consolidação de parcerias interinstitucionais, incluindo a colaboração com o ITA. Esse conjunto de atividades reforça a ideia de que os Sistemas Complexos não constituem apenas um conjunto de ferramentas analíticas, mas uma abordagem científica capaz de integrar ensino, pesquisa, internacionalização e desafios concretos da Engenharia de Transportes.

A experiência mostrou, de forma prática, que questões ambientais, geopolíticas, logísticas, sociais e econômicas encontram-se profundamente interconectadas. O degelo no Ártico, por exemplo, não representa apenas um fenômeno climático local, mas um processo capaz de alterar rotas marítimas, reorganizar cadeias globais de suprimentos, redefinir interesses geopolíticos, impactar comunidades tradicionais e produzir efeitos em escala planetária.

A participação no UArctic também possibilitou o estabelecimento de novas conexões acadêmicas e institucionais com pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento, reforçando a vocação interdisciplinar dos Sistemas Complexos. O contato com especialistas em meio ambiente, geopolítica, governança, cultura, educação, logística, oceanos e ciências sociais evidenciou que os grandes desafios contemporâneos não podem ser enfrentados a partir de uma única disciplina, exigindo abordagens capazes de integrar diferentes escalas, agentes e formas de conhecimento.

Assim, a trajetória que conectou a UNICAMP, a Sciences Po e o UArctic Congress 2026 evidencia que os Sistemas Complexos não representam apenas um conjunto de técnicas, métodos ou ferramentas computacionais. Eles constituem uma base conceitual para compreender o mundo contemporâneo, especialmente em contextos marcados por incerteza, interdependência, adaptação, emergência e transformação. Para a Engenharia de Transportes, essa perspectiva é fundamental, pois permite analisar infraestruturas, redes, fluxos, riscos e estratégias não como elementos isolados, mas como partes integrantes de sistemas dinâmicos e interconectados.

Portanto, mais do que uma coleção de métodos, os Sistemas Complexos configuram uma abordagem científica capaz de conectar engenharia, física, matemática, economia, geopolítica, ciência de dados, ciências sociais, estudos ambientais e governança internacional. Essa integração fortalece simultaneamente a formação dos estudantes de graduação e as pesquisas desenvolvidas na pós-graduação, ampliando a capacidade da universidade de responder a desafios contemporâneos complexos, estratégicos e interdisciplinares.

GESC- Grupo de Engenharia de Sistemas Complexos

 

Agradecimentos:

Junho de 2026

Os autores agradecem o apoio financeiro concedido pelo FAEPEX–UNICAMP (Convênio nº 519.287 – T.A. UNICAMP/PRP/FAEPEX, Programa de Incentivo a Novos Docentes da Universidade Estadual de Campinas), pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Ministério da Educação, Brasil) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por meio do Processo nº 401609/2025-1 (Chamada CNPq/MCTI nº 44/2024 – Faixa A), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo nº 2025/09475-9; Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) , Programa PIND (nº 2627/25),Programa de Apoio às Atividades Estudantis Extracurriculares, a direção da FT/UNICAMP e coordenação de Engenharia de Transportes e de Sistemas de Informação da FT/UNICAMP.