Titulo: Avaliação dos efeitos do tratamento do ar com ozônio na poeira residencial
Comissão Examinadora - Titulares
Profa. Dra. Joyce Cristale (Presidente) FT/Unicamp
Profa. Dra. Dânia Elisa Christofoletti Mazzeo Morales - UFSCAR
Profa. Dra. Patricia Prediger - FT/Unicamp
Profa. Dra. Carla Sirtori - UFSM
Profa. Dra. Simone Andréa Pozza - FT/Unicamp
Suplentes
Profa. Dra. Dayana Moscardi dos Santos - UFSCAR
Prof. Dr. Amilcar Machulek Junior - UFRN
Profa. Dra. Cassiana Maria Reganhan Coneglian - FT/Unicamp
Local: Sala de Defesa (Prédio da Pós-Graduação da FT) | https://stream.meet.google.com/stream/92998fad-28df-4032-8e54-d79166ff051d
Resumo: A poeira residencial é uma via de exposição a contaminantes provenientes de produtos de limpeza, higiene pessoal e móveis novos, bem como de fontes externas, tais como emissões veiculares, industriais e entre outras. Destacam-se os ftalatos, os ésteres organofosforados (OPFRs), os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), os filtros UV, as fragrâncias e o bisfenol A (BPA), devido aos seus potenciais efeitos adversos à saúde humana. O ozônio tem sido amplamente empregado em processos de desinfecção e esterilização, em razão de sua elevada capacidade oxidativa. No entanto, a ozonização pode promover transformações químicas em contaminantes orgânicos, cujos impactos toxicológicos ainda são pouco compreendidos. Portanto, o presente estudo teve como objetivos: (i) desenvolver e aplicar um método analítico para a determinação simultânea de 33 compostos orgânicos presentes em poeira residencial; (ii) comparar a cinética de degradação dos compostos em poeira residencial e em sílica dopada expostas ao ozônio; e (iii) avaliar a mutagenicidade (Teste de Ames) e a ecotoxicidade (com Daphnia similis) da poeira antes e após a ozonização. Diferentes métodos de extração foram testados e a combinação de hexano:acetona (1:1) com PSA (100 mg) apresentou o melhor desempenho. As recuperações utilizando poeira fortificada com os analitos variaram, na grande maioria dos casos, de 91 a 117% e desvio padrão relativo (DPR) de 0,9 a 7,2% no nível N1 (1,25 µg/g) e 83 a 118% e DPR 1,2 a 25% no nível N2 (5 µg/g). A sílica foi empregada como matriz substituta, com recuperações variando entre 71% e 109% em N1 e entre 74% e 108% em N2, DPR 0,3 a 27% em N1 e 0,2 a 2,5% em N2. Os limites de detecção do método (LDM) variaram entre 0,02 e 0,5 µg/g, e o limite de quantificação do método (LQM) foi de 0,1 µg/g a 1,2 µg/g. A aplicação do método em quatro amostras reais de poeira resultou na identificação de 21 compostos, reforçando sua relevância para o monitoramento de contaminantes em ambientes internos. A ozonização dos compostos revelou diferenças na degradação e na cinética entre as matrizes estudadas (Sílica dopada, Poeira 1 e Poeira 2). Os HPAs apresentaram rápida degradação por ozonização, especialmente na sílica e na Poeira 2. Os ftalatos degradaram apenas na sílica e nenhuma transformação foi detectada nas amostras de poeira. Para os OPFRs, poucos compostos apresentaram degradação, predominantemente na sílica, com cinéticas mais lentas na poeira. O tris(2-butoxietil) fosfato (TBOEP) foi a exceção, apresentando degradação em ambas as poeiras. Entre os filtros UV, observou-se degradação rápida e acentuada, especialmente para o 2-etilhexil 4-metoxicinamato (EHMC), com reduções já no primeiro minuto em todas as matrizes. O octocrileno (OCR) apresentou degradação limitada, dependente da matriz, não sendo degradado na Poeira 2. As fragrâncias também apresentaram degradação sob ozonização, sendo mais rápida na sílica e reduzida nas poeiras. Por fim, o BPA foi rapidamente degradado na sílica, enquanto nas poeiras apresentou estabilidade na Poeira 1 e degradação na Poeira 2. Foi realizado um teste de mutagenicidade com Teste de Ames, em duas amostras de poeira (Poeira 1 e Poeira 2) ozonizadas no tempo 0, 5 e 60 minutos. Na Poeira 1, a ozonização por 60 min reduziu o número de revertentes, tanto na ausência quanto na presença de S9, indicando diminuição da mutagenicidade. Na Poeira 2, observou-se redução inicial dos revertentes após 5 min de ozonização, com aumento dos revertentes após 60 min em algumas concentrações. Na presença de S9, apenas as concentrações mais altas apresentaram mutagenicidade, a qual foi atenuada após a ozonização, especialmente aos 60 min. No teste de ecotoxicidade usando Daphnia similis na Poeira 1, não foram observadas diferenças de toxicidade entre os tempos de tratamento avaliados. Enquanto que na amostra Poeira 2 verificou-se uma redução da toxicidade nos tempos de 5 e 60 minutos de ozonização. Embora a ozonização tenha reduzido a toxicidade e a mutagenicidade em algumas condições, os efeitos não foram uniformes entre as amostras e os tempos de exposição. A compreensão dessas transformações é fundamental para elucidar como a interação entre o ozônio e a poeira residencial pode alterar sua composição química e toxicidade, contribuindo para um entendimento mais aprofundado dos processos que governam a dinâmica dos poluentes no ambiente interno e seus possíveis impactos sobre a qualidade do ar interior.

